- Escolha uma tarefa única (ex.: responder e-mail, resumir reunião, classificar tickets) e avalie só isso
- Use casos de teste representativos, incluindo “casos chatos” e “casos perigosos”
- Compare com uma rubrica simples (0–2 ou 0–5) para reduzir discussão subjetiva
- Meça retrabalho e risco junto com qualidade — é aí que o ROI aparece
- Registre versão do prompt, modelo e configurações (temperatura/top_p) para repetir depois
1) Defina o objetivo de negócio (em 1 frase)
Não é “melhorar o prompt”. É algo como: “Reduzir o tempo para responder clientes mantendo tom profissional e evitando promessas indevidas”. Um objetivo curto evita que o teste vire disputa estética.
2) Escolha uma única tarefa e um formato de saída
Exemplos: (a) e-mail de resposta com 120–180 palavras; (b) resumo de reunião com tópicos + decisões + próximos passos; (c) classificação de ticket com categoria e urgência. Fixe o formato para comparar maçã com maçã.
3) Monte um conjunto de casos de teste (10–20)
Pegue entradas reais (anonimizadas) e inclua: casos comuns, casos longos, casos com ambiguidade e pelo menos 2 casos “armadilha” (pedindo algo que o modelo não deveria inventar). Se você não pode usar dados reais, crie sintéticos que imitem o seu cenário.
4) Crie uma rubrica de avaliação (nota curta + critério claro)
Use uma escala simples (0–2 ou 0–5) e critérios escritos. Ex.: 0 = errado/inútil; 1 = parcialmente correto; 2 = correto e pronto para enviar. Adicione critérios separados para “tom” e “fidelidade ao contexto” se isso importa no seu negócio.
5) Rode o teste de forma controlada
Use o mesmo conjunto de entradas para cada variação (Prompt A, Prompt B, Modelo X). Mantenha constantes as configurações sempre que possível. Se mudar temperatura/top_p, trate como outra versão a ser comparada.
6) Meça o que dói: retrabalho, consistência e risco
Além da nota de qualidade, registre: tempo para editar até ficar publicável (ou número de edições), frequência de respostas inconsistentes e ocorrências de alucinação (dados inventados) ou vazamento (pedir/usar dado sensível). Nem sempre dá para medir “custo” com precisão sem acesso à cobrança; se não tiver, registre proxy: tamanho médio da resposta e número de chamadas.
7) Decida com regra simples e documente
Defina antes a regra, por exemplo: “aprovado se média ≥ 1,6/2 e zero alucinações críticas”. Salve o prompt vencedor com versão, data, exemplos de entrada/saída e o que ele não deve fazer. Isso vira padrão interno e reduz regressão.
O erro clássico: testar “no feeling” e com exemplos bonitos
Quando alguém compara modelos/prompts com 2 ou 3 exemplos escolhidos a dedo, o resultado costuma enganar. IA parece ótima nos casos fáceis e derrapa justamente onde sua operação sofre: ambiguidade, falta de contexto, exceções e pedidos indevidos.
Um teste decente não precisa de estatística avançada. Precisa de disciplina: casos reais, critérios claros e registro.
Checklist do conjunto de testes (o que não pode faltar)
Se você quer que a IA seja confiável no trabalho, seu conjunto de testes precisa representar o ambiente real — inclusive as mensagens mal escritas e os pedidos confusos.
- Casos comuns (os 60% que aparecem todo dia)
- Casos longos (muito contexto, histórico, anexos colados em texto)
- Casos ambíguos (faltando informação essencial — a IA deve perguntar, não inventar)
- Casos com restrições (LGPD, compliance, linguagem proibida, promessas/garantias)
- Casos “armadilha” (pedindo número, fonte, link ou fato específico que não foi fornecido)
Rubrica pronta: notas rápidas que evitam discussão infinita
A melhor rubrica é a que você consegue usar sem treinamento longo. Abaixo vai um modelo simples que funciona para a maioria das tarefas de texto.
| Critério | Nota 0 | Nota 1 | Nota 2 |
|---|---|---|---|
| Correção/precisão | Erra o pedido ou inventa informação | Acerta parte, mas com lacunas | Acerta e não inventa nada |
| Aderência ao formato | Ignora o formato combinado | Cumpre parcialmente | Segue o formato certinho |
| Tom e clareza | Soa inadequado/duro/confuso | Ok, mas precisa ajustes | Pronto para uso |
| Segurança (risco) | Vaza dado, faz promessa indevida ou alucina “fato” | Sinal amarelo (insinua/pressupõe) | Seguro e faz perguntas quando falta info |
Como comparar prompts vs. comparar modelos (não é a mesma briga)
Se a qualidade está instável, muitas vezes o problema é o prompt (ou o contexto), não o modelo. Trocar de modelo pode melhorar, mas é mais caro e mais difícil de padronizar.
Sugestão prática: primeiro otimize 1–2 versões de prompt no mesmo modelo. Só depois compare modelos diferentes com o prompt vencedor (ou o mais neutro possível).
Decisão rápida: a regra dos “3 sinais”
Quando duas opções parecem próximas, eu uso três sinais que costumam desempatar em operação real:
- Qual opção exige menos edição humana para ficar publicável?
- Qual opção erra de um jeito mais “seguro” (faz pergunta em vez de inventar)?
- Qual opção é mais consistente quando você roda o mesmo caso 3 vezes?
Perguntas frequentes
Quantos casos de teste eu preciso para avaliar um prompt?
Como medir “alucinação” na prática?
Temperatura e top_p mudam muito o resultado do teste?
Dá para avaliar custo sem saber tokens e preços?
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